Vanguarda Espírita
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Raul José Fernandes de Oliveira
Doutor em Ciências e Professor de várias disciplinas do Curso de Teologia da Faculdade Leocádio José Correia.

INTRODUÇÃO

Quando nos deparamos com mudanças de todas as ordens em nosso meio, como podemos entendê-las e dissecá-las do ponto de vista da análise científico-filosófica se não buscarmos seus disparadores, suas nuances enquanto processo e seus efeitos realizados. Aqui se pretende traçar um comparativo dos conteúdos ministrados nas aulas do espírito Antônio Grimm com a ciência, o indivíduo e os efeitos das alterações sociais que este sofre quando imerso no contingente Universal.

1. TRANSIÊNCIA

A transiência quando conceituada no campo da Engenharia Elétrica (transiente elétrico), explica o aparecimento de um surto energético instantâneo, ou seja, de curta duração, seguido da acomodação gradual de energia em níveis compatíveis com as novas características do meio. Quando aplicamos este conceito a fenômenos sociais, como no binômio revolução – modernidade, podemos perceber uma similitude de comportamento. Como no efeito físico-elétrico, a revolução se compara ao surto energético, com o seu caráter de mudança, renovação, rompimento com usual. Já a acomodação gradual energética faz par com a modernidade, quando após o movimento revolucionário, troca o velho pelo novo, estabiliza a transição.

2. AUTO E EXO-REFERENCIAIS

Em meio a estas mudanças transienciais encontra-se o espírito (no nosso caso, encarnado), que percebe estas mudanças e tenta readaptar-se homeostaticamente para manter seu equilíbrio dinâmico em relação ao meio. Sim, dinâmico, pois a homeostase sugere a adaptação constante dos sistemas complexos em relação à variações ambientais. E nesta tarefa revela-se a busca que faz ao seu redor procurando sinalizações que indiquem os novos padrões que as mudanças deixaram (exo-referenciais), para então recolhe-los, e no seu interior realizar uma outra busca, revendo a influência que estes indicadores externos irão provocar na sua nova composição de referenciais (auto-referenciais). Assim o espírito torna-se adaptado e participante ao novo estágio de interação social que o transiente cultural proporcionou.

3. RELAÇÃO BOOLEANA

Estes dois fenômenos (a transiência e a busca por novos referenciais, pelos quais passa o espírito), remetem-nos à Álgebra Booleana (criada por George Boole, matemático e lógico britânico, 1815 - 1864), onde figuram apenas dois símbolos significativos, o zero (0) e o um (1). A partir das combinações possíveis entre estes dois termos, tanto em posição, como em repetição, são possíveis as representações de valores numéricos e caracteres literais, ou até mesmo conteúdos lógicos de proposições e argumentações. Fazendo um comparativo, é possível manifestar a idéia do “zero” para o efeito inicial da transiência (o zero significa o todo, o Universo, segundo o espírito Antônio Grimm), que seria o disparo para novas transições sociais. Já o “um” seria a estabilização do processo, concretizando novas características ao meio. Em contra partida, a observação dos exo-referenciais também figuram como o “zero” (quando permitem ao espírito analisar os sistemas e organizações que o rodeiam, o Universo ao seu redor), e ao trazer para seu interior estas novas posições deparam-se com os seus auto-referenciais, que figuram como o “um” (pois são o encontro das conexões externas com a sua intimidade, o seu âmago, seu cerne de valores individuais e fundamentais que constroem sua existência cultural).

Assim podemos dizer que o indivíduo está no Universo, e este nunca será o mesmo sem a presença deste indivíduo. E ao mesmo tempo o Universo está no indivíduo, já que seus referências internos são reflexo das adaptações e readaptações que o espírito homeostaticamente perfaz a cada alteração que o grande Sistema Universal demanda.

4. INFERINDO CONCLUSIVAMENTE

Esta análise tem decorrências imediatas para clarear o nosso entendimento de vários segmentos da Teoria Espírita, pois os efeitos transienciais, homeostáticos, exo e auto-referenciais estão presentes em todo o nosso relacionamento com a práxis espírita (que não passa da ação racional do espírito quando praticante da Doutrina). Vejamos na mediunidade, por exemplo, cada mensagem trocada entre os polissistemas e devidamente veiculada, causa alterações concernentes aos efeitos mencionados acima, tanto na esfera do médium (com a influência que causa nos seus referenciais), quanto na esfera do alcance social desta mensagem, reverberando o novo em todas as direções do seu alcance. Então, sob este ponto de vista da análise, a amplitude mediúnica da mensagem espírita é provocadora, inovadora, causa alteralidade e cabe a nós como médiuns conscientes da Doutrina Espírita, colocarmo-nos aptos para interpretá-la, divulgá-la, e assim nos inserirmos na vanguarda da construção e interpenetração do Espiritismo na sociedade.

Cabe ainda lembrar, que no tocante à mensagem em relação ao indivíduo, é possível identificarmos os processos: informativo, comunicacional e computacional que esta provoca no segundo. Mas isto é motivo para outra análise futura.

5. REFERÊNCIA BIBILIOGRAFICA

Anotações do autor sobre a aula psicofonada do espírito Antônio Grimm, pelo médium Mauri Rodrigues da Cruz, no Núcleo de Ensino e Pesquisa da SBEE. Curitiba, 23-04-2004.

Grimm, Antonio. Cadernos de Psicofonias de 2000, médium Maury Rodrigues da Cruz – Primeira Edição 2001.

Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Nova Cultural, São Paulo, 1998.

Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns [s.l.].

Sabbag, Altamir et al. Espiritismo e Currículo - uma proposta para o estudo doutrinário e o exercício mediúnico. Curitiba, SBEE, 1999.